direcao de arte nos games - ori and the blind forest

Eu sempre gostei de jogar videogame e confesso que sou um pouco exagerado. 

Prefiro jogos em que você tenha que pensar a sair atirando em tudo o que se mexe. Sempre foi um exercício mental e não somente físico. Se eu quiser fazer exercício, vou para a academia!

Não vou enganar e dizer que não jogo um Battlefield ou Call of Duty de vez em quando, mas quando se trata de desafio mesmo, prefiro aqueles que me instigam a pensar e resolver problemas complexos. 

Qual não foi minha grata surpresa quando me deparei com uma promoção na Live do Xbox com um jogo que viria a ser uma experiência fantástica. Não só de gameplay como de dedicação a um trabalho extremamente bem feito. 

Quando você ama jogar e ainda é designer, um jogo como Ori and the Blind Forest vai te deixar no melhor dos mundos. Vou explicar o porque! 😎

Para quem ainda não teve o prazer de jogar, Ori and the Blind Forest é um jogo onde você comanda Ori, uma criaturinha branca, quase um anjinho. É fofinho e muito ágil. 

personagem Ori - Ori and the Blind Forest
Personagem Ori • Ori and the Blind Forest

Mas não se engane, Ori enfrenta grandes adversários de igual pra igual e sem esmorecer. Ao longo do jogo você ganha alguns itens para enfrentar adversários que vão desde aranhas que cospem gosmas em cima de você, até um pássaro enorme, que te mata ao simples toque. 

Eu não quero falar aqui do jogo, que é fantástico, mas sim da experiência que tive com tudo isso. Foram horas agradabilíssimas com cenários de tirar o fôlego. 

A equipe da Moon Studios, estúdio criador de Ori and the Blind Forest, conseguiu transmitir toda a emoção nesse jogo e deixar marmanjos, assim como eu, embargados.

Mas o que tem de tão legal nesse jogo? Sua direção de arte!

Personagens

Os personagens são cativantes para dizer o mínimo. Cada um tem uma história,  que se funde a de outros personagens, à medida que é contada no decorrer do jogo. 

Cada personagem tem uma movimentação fluida e orgânica. Cada salto que Ori dá, você pode sentir seu peso, a gravidade agindo em cima de seus atos. É muito legal!

Cenários

É para mim, o ponto alto do jogo. A equipe de designers deve ter trabalhado exaustivamente e com tanto empenho que se nota nos mínimos detalhes. Há um ambiente em primeiro plano, palco principal de Ori, que completa-se com cenários secundários e terciários. São várias camadas que em muito lembram as camadas quando criamos no Photoshop. 

Os bichos e a natureza tem vida própria. Cada um tem seu meio de interagir com o ambiente e com os movimentos de Ori. 

Durante o jogo passamos por florestas, grutas, cemitérios, pântanos e bosques. Em cada um deles há cipós pendurados, cascatas pequenas de água fluindo, troncos de árvore enormes cobertos por grama que se mexe, flores espinhosas, esconderijos secretos que só aparecem com a proximidade de Ori a algum deles. 

Tudo isso dividido nos quatro elementos: água, terra, fogo e ar. 

Terra

fase terra - Ori and the Blind Forest
Fase da terra • Ori and the Blind Forest

As fases da terra são as primeiras do jogo e é aí que você se acostuma com os movimentos de Ori. Você sabe o quanto tem que apertar no controle ou mouse para pular em uma determinada altura. Claro que nem sempre você consegue passar por um obstáculo de primeira. E vou dizer, às vezes nem de décima vez! 

Os cenários aqui são cobertos por gramas, troncos de árvores que se conectam a outros menores, plantas espinhosas e folhas gigantes onde você pode subir para ter acesso a outros lugares do mapa. 

Água

Fase da água • Ori and the Blind Forest
Fase da água • Ori and the Blind Forest

A fase da água é uma das mais difíceis que eu tive que passar no jogo. Ainda assim, é um deleite visual. A água se mexe de forma bem real quando Ori mergulha e quando sai dela. Aliás, quando Ori mergulha, podemos ver outros tipos de plantas, flores, animais que só existem nesse ecossistema. 

Os cenários aqui são repletos de plantas subaquáticas que emergem parcialmente para fora da água, musgos, algas e líquens. Peixes raivosos vão te seguir à medida que avança pela água. 

Spoiler: O final dessa fase é de cair os cabelos! Ohhhh coisa difícil de passar! Mas quando você chega ao final, uau!, se deleita com uma paisagem de tirar o fôlego. 

Ar

Fase do ar • Ori and the Blind Forest
Fase do ar • Ori and the Blind Forest

A fase do ar traz uma movimentação diferente dos outros ambientes. Aqui você tem que se aproveitar das colunas de ar que saem do chão para alcançar patamares mais elevados no cenário. Ainda assim a movimentação e sensação de gravidade é muito bem feita. 

Para dar uma dificultada em nosso caminho, há fases em que Ori terá que passar por ambientes estreitos, cobertos por espinhos. Ao menor toque, Ori pula e fica todo vermelho. Para passar daqui precisei de muita coordenação motora e paciência! 

Os cenários aqui são repletos de becos e ambientes estreitos, com plantas espinhosas e animais que rastejam por entre as paredes impedindo sua passagem. 

Fogo

Fase do fogo • Ori and the Blind Forest
Fase do fogo • Ori and the Blind Forest

A fase do fogo é a última do jogo e o que falar dela. Simplesmente linda! 

Aqui os cenários são mais estéreis que os outros, há muitas estruturas em pedra, totens e roldanas. Ainda assim apresentam seus ecossistemas. 

Ao longo do caminho você terá que correr pois o chão começa a esquentar e quando isso acontece, Ori sofre danos. Mas não pense que é só correr de boa! Enquanto isso acontece, Ori terá que se desvencilhar de bolas de fogo que pairam em determinados pontos do cenário. E é por meio deles que Ori alcançará outros patamares. 

O fogo do cenário dá a sensação claustrofóbica exata. Algumas partes da tela ficam turvas, assim como acontece com o asfalto em dias quentes de verão. 

Sonoplastia

Nada disso funcionaria tão bem se não houvesse um trabalho muito bem feito de sonoplastia. Apesar de não termos músicas épicas, o som faz seu papel muito bem. Podemos escutar animais a medida que nos aproximamos, o som abafado da floresta densa, o fogo queimando, o arranhar de pedras entre si e uma trilha sonora suave. 

Menu e itens

Outro ponto de excelência no jogo é a atenção que o pessoal da Moon Studios deu aos detalhes. 

O menu é auto explicativo, bem fácil de seguir. Pontaço para design de usabilidade!

Dentro do menu, os itens são animados, campos de energia, fogo ardendo, água fluindo, magias cintilando. Tudo harmonicamente pensado. 

Mapa

Mapa • Ori and the Blind Forest
Mapa detalhado • Ori and the Blind Forest

O mapa é outro ponto forte e não deixa o jogador perdido. Sempre podemos nos situar onde estamos e onde devemos seguir para conquistar o objetivo naquele momento. 

O mapa, como nos cenários, possui dois ambientes, o normal onde vemos onde estamos e quais os desafios a seguir e um anterior que nos situa no mundo do jogo. 

Finalizando nossa analise de design

Para você que ainda não jogou, jogue! O desafio, os quebras cabeças são bem legais e vão te levar a fundo no mundo e na missão que Ori terá que enfrentar. 

Eu demorei um pouco mais do que o normal, confesso que fiquei olhando para o cenário e seus detalhes por um bom tempo. Fora a experiência de jogo, para mim foi uma experiência visual fantástica! 

Com base em Ori and the Blind Forest, podemos aplicar vários conceitos em nossos trabalhos como designers. 

O cuidado com os detalhes, a preocupação em se criar uma história, a jornada do herói, um vilão mal compreendido, usabilidade do menu, imersão no ambiente, enfim, trazer uma experiência fantástica ao cliente. 

Espero que tenham gostado! Em breve farei mais comparações do mundo dos games com o do design e em como podemos levar aprendizados para nosso dia a dia

Até mais! Fuiiiiiiii ✌✌✌

Maurício Faccin Dec

Sou designer digital de formação e atuo no mercado digital há 20 anos. Já passei por empresas grandes como Veja, Editora Abril, Canal Ideal e Rede Bandeirantes. Trabalhei com clientes de todos os portes e minha meta atual é inspirar pessoas a oferecer serviços diferentes e que melhorem a vida de seus clientes.

Deixe uma resposta